O Festival Internacional de Música Sonata já é um sucesso e está consolidado no calendário cultural de Francisco Beltrão e do estado do Paraná.

Durante o mês de julho, toda a cidade respira música. O lado positivo é que as apresentações não são restritas apenas a salões e ambientes fechados e solenes.

A música vai para a rua. Populariza-se. Pessoas preocupadas com as contas para pagar, reuniões, entrevistas de emprego e tudo o que a rotina nos obriga a passar deixam instantaneamente essas inquietações da rotina de lado quando, no meio de uma rua ou na praça pública, um concerto proporciona momentos de encanto com a música erudita.

Ou então, ao entrar em um supermercado, se deparam com o som emocionante da viola caipira, com a sua música contando em versos a beleza da música do interior.

Imaginem a surpresa de se entrar na estação à espera do ônibus para retornar aos seus lares, depois de um dia inteiro de trabalho e se depararem com a imponência do som das clarinetas! Momentos inesquessíveis...

Outro lado muito interessante do festival é a presença de músicos de renome internacional.

Profissionais que estão acostumados aos mais badalados palcos do mundo, acostumados com a majestade dos grandes teatros europeus e vêm até Francisco Beltrão não apenas para apresentar-se como também para interagir com o público.

A receita do sucesso fica completa quando oficinas são realizadas para aperfeiçoar músicos brasileiros, que aproveitam o Festival para melhorar sua técnica musical. O festival recebe alunos oriundos de três estados: Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e mais de 10 cidades de nossa região se faziam presentes.

Para entender como um festival tão novo já é tão conceituado, é necessário voltarmos no tempo.

Até a Curitiba da década de 1980 para sermos mais específicos. Foi na capital do Paraná que uma das idealizadoras do evento, professora Dotsy Myrna Santi Rebelatto, diretora da Escola de Música Sonata, se mudou para estudar música no Instituto Cultural da Música Paranaense e na Yamaha Music Center.

Os anos de dedicação à música renderam-lhe ainda mais amor à profissão e a saudável necessidade de estar se aperfeiçoando. Por isso, mesmo nos tempos de aluna, ela procurava participar das tradicionais Oficinas de Janeiro. “Sempre via as oficinas como uma oportunidade que a gente tinha de fazer novas amizades, conhecer novas técnicas, novos professores.

Por isso, nunca parei de frequentar e participar de festivais em todo o Brasil. Costumo dizer que sou uma cria de festivais, porque foi nesses eventos que tive a oportunidade de aprender e me desenvolver musicalmente”, lembra a professora.


Em Poços de Caldas, o insight

Mas foi em Poços de Caldas que nasceu o desejo de realizar o Festival de Música Sonata. A cidade mineira realiza já há vários anos o Festival de Música nas Montanhas. O evento mobiliza toda a cidade e mesmo quem não tem muita relação com a música clássica acaba curtindo os dias em que o evento acontece. Isso por que os músicos vão para a rua, se apresentam, interagem com o público, realizam oficinas de aperfeiçoamento, entre outras várias atividades.

Se o leitor percebeu alguma relação entre o festival mineiro e o beltronense, não foi uma coincidência.

Quando a professora Dotsy e o professor Roniedson Rebelatto, também diretor da Sonata e um dos idealizadores do Festival, viram tudo aquilo que acontecia em Poços de Caldas e a maneira como toda a cidade se envolvia, surgiu o insight: por que não realizar um evento nos mesmos moldes em Francisco Beltrão?

“Observamos que não era apenas os músicos, mas também a cidade como um todo que se modificava e aí surgiu o sonho de fazer em Beltrão um festival nesse mesmo nível”, explica Dotsy.

Assim durante três anos os diretores da Escola realizaram festivais internos, para medir o grau de interesse de pais e alunos. O resultado não podia ter sido melhor e por isso em 2013 já foi realizada a Semana Estação da Música, na qual toda a cidade pode participar das apresentações.


Evento Internacional

Apesar de já ter sido muito bem aceito por toda a população na primeira edição, o Festival ficou ainda melhor em 2014, com as apresentações de músicos conceituados de outros países. O contato com esses músicos foi feito pelo professor Etcheverry Santi Rebelatto. Com quatro anos de idade ele começou a estudar piano, e com a boa influência dos pais (Dotsy e Roniedson) e do seu irmão mais velho, também musico Giovani Santi Rebelatto, Etcheverry empenhou-se com afinco na arte musical.

Estudou no Conservatorio di Musica Antonio Buzzolla, na Itália, onde obteve a Láurea Acadêmica pelo excepcional desempenho acadêmico. “Quando fiz minha faculdade na Itália, me especializei em canto lírico e quando obtive a láurea consegui trazer esses contatos para o Festival. É difícil aos brasileiros ter esse contato com professores, técnicas e a disciplina dos músicos europeus.

Por isso, com o Festival, fazemos um caminho inverso, trazendo eles até o povo brasileiro”, destaca Etcheverry.

Para o professor da Escola de Música Sonata, o Festival cumpre com o importante papel de popularizar a música erudita. “O interior do Brasil é o ambiente certo para que os professores possam conhecer a realidade do Brasil. O povo da nossa cidade é muito acolhedor, eu acredito que o melhor local para começar a difundir a música erudita é do interior do Brasil para as capitais.

O próprio Carlo Colombara não teve o mesmo resultado por parte dos alunos da capital, que ele teve em Francisco Beltrão. Tanto é que esse ano no Brasil ele só vai vir a Francisco Beltrão e não em grandes capitais”, enfatiza. Isto é motivo de muita alegria e aumenta ainda mais a nossa responsabilidade.

Em 2015, o 3º Festival Internacional de Música continuará a contar em sua programação com músicos de renome mundial e a mesma preocupação em qualificar ainda mais os músicos de toda a região. Além das presenças de Carlo Colombara e Elio Orio, que já estiveram em Francisco Beltrão em 2014, neste ano o evento também contará com a presença da pianista italiana Nicoletta Olivieri, de músicos do quarteto da Austria, professores da América Latina, e claro, com professores de nossa cidade e da região.

Como a professora Dotsy sempre menciona J.A.Santana: “É importante plantar mudas de sons, pois são mudas de amor gerando frutos de vida”.

Tivemos em 2016 o IV Festival Internacional de Música Sonata e agora com muita alegria em 2017 o V Festival Internacional de Música Sonata.